segunda-feira, 29 de junho de 2020

Série: Ateliê de Palhaçaria apresenta processo de formação de integrantes dos Doutores RiSonhos

Gabrielle Heinz, a Doutora Magnólia e Melaine Pilatto, Doutora Margareth, chegaram aos Doutores RiSonhos no começo deste ano, após passarem por todo o processo do edital de seleção de novos integrantes. Com a pandemia do coronavírus, as artistas tiveram poucas oportunidades de realizar atividades junto ao público.
Com o objetivo de apresentar as novas integrantes e falar sobre diversos momentos também da vida dos veteranos Michelle Silveira (Doutora  Barrica) e Vinicius Bouckhardt (Doutor Chicote), os Doutores RiSonhos lançaram o Ateliê de Palhaçaria, uma série de vídeos com quatro temporadas.
Em cada uma, os artistas falam sobre um tema: Iniciação, Construção, Relação com o Hospital e Experiências Marcantes e revelam como iniciaram a carreira na palhaçaria, como seus palhaços nasceram, como construíram sua visão sobre o espaço do hospital e narram momentos que marcaram a vivência deles na palhaçaria hospitalar.
O nome da série foi escolhido porque o ateliê representa o local onde se pesquisa e trabalha para formatar e lapidar a arte. Nesse sentido, o ateliê é o local de pesquisa e formação individual de cada palhaço.
Diretora Artística do grupo, Michelle destaca que outra intenção da série é revelar o universo da palhaçaria no hospital. “Quisemos falar sobre a importância da formação, da técnica e do conhecimento para atuar em um ambiente tão delicado quanto este. Com os depoimentos, criamos um álbum dos Doutores RiSonhos para apresentar à comunidade”, revela.
A série está disponível no Instagram e Facebook do grupo e também no canal do Youtube.










terça-feira, 23 de junho de 2020

Com a pandemia, lá se foram minhas planilhas

Por Michelle Silveira da Silva - Diretora Artística – Dra. Barrica

Iniciamos 2020, cheios de planos. Tínhamos tantas coisas para realizarmos que começamos por colocar no papel, tudo detalhadamente, o que gerou um cronograma intensivo de ações que iam de janeiro de 2020 a janeiro de 2021. Enquanto fazíamos o cronograma, nossa cabeça quase fundia, para dar jeito de caber tudo ali naquelas planilhas. Depois, a gente cansava só de ver o cronograma. Eu pensava: Não podemos alterar nada do cronograma, senão não vai dar tempo de fazer tudo! 
Que ilusão a minha, não é mesmo?
“De repente, não mais que de repente”, tudo, exatamente tudo mudou. Não só no nosso cronograma, mudou no mundo todo, mudou na gente...então o cronograma se desfez, e todo aquele trabalho se foi por água abaixo e um novo cronograma passou a ser delineado. Quem me conhece, sabe que eu sou a “louca das planilhas”, então mesmo a quarentena eu tentei colocar na tabela. 
Só que eu nunca tinha vivenciado um isolamento social como esse, na verdade eu nunca tinha vivenciado nenhum tipo, e eu não tinha a dimensão do quanto era difícil manter a planilha funcionando, quando havia tanta incerteza, insegurança, medo, ansiedade e tanta saudade de tudo e de todos. 
Então, a planilha passou a ficar mais flexível, e começamos a viver o isolamento. Assim como sempre foi, a prática sempre me deu a direção a seguir, eu sempre fui da prática. Sempre foi o fazer artístico que me ensinou o caminho para onde meu coração desejava ir, e deveria. E não foi diferente nesse período. 
Todos isolados, há 3 meses sem se ver pessoalmente, com saudades do trabalho, dos ensaios, dos colegas, das pessoas, dos pacientes, de poder sair na rua tranquilamente, abraçar a família, os amigos, dividir uma cuia de chimarrão... E daí surgiram ideias de ações que os Doutores RiSonhos poderiam fazer, para encurtar a distância entre as pessoas, levando alegria, amor, afeto e calor humano, mesmo que online. 
Antes, precisamos entender como nos expressarmos afetuosamente diante de uma câmera, de um celular. Como transformar nossa casa em um estúdio, como fazer uma gravação melhor a cada dia. E então, iniciamos a criação de várias ações como: vídeos, postagens diferenciadas, almanaque com desenhos, desenhos para serem pintados, séries sobre os artistas que integram nossa equipe e as ações do Correio Elegante, onde gravamos vídeos para as pessoas, com recadinhos e mensagens especiais. Todas as ações realizadas tiveram um retorno positivo, no entanto no Correio Elegante, o retorno foi imediato e em forma de uma enxurrada de amor, de gratidão e de saudades, que nos vimos na obrigação de continuarmos. 
Fizemos o Correio Elegante Especial de Dia das Mães  e o do Dia dos Namorados, além do Especial Solteiros! 
Seguimos, vivendo o momento e descobrindo o caminho que nossos corações desejam trilhar, seguimos a nos reinventar, com o propósito de humanizar as relações, aproximar as pessoas, transbordar afetos, promovendo a qualidade de vida através da arte e da palhaçaria.




segunda-feira, 1 de junho de 2020

“Estudar é preciso”

Por Michelle Silveira


   Na tarde da sexta-feira, dia 22 de maio, tivemos o nosso primeiro encontro de estudos durante a pandemia. Foi um momento muito necessário e produtivo. Como tivemos que suspender as nossas atividades lá na metade de março, quando estávamos apresentando as novas palhaças aos hospitais, nem tínhamos tido tempo para esse estudo mais aprofundado.
  Estudamos sobre humanização na saúde, com foco na pediatria e nos cuidados com os idosos, focos do nosso trabalho nos hospitais. Além dos textos, assistimos vídeos relacionados ao assunto e pudemos fazer muitas ligações entre o trabalho que fazemos e os princípios da humanização hospitalar.
Destacamos:
    • Que palhaços e palhaças inseridos no contexto do hospital podem contribuir nas relações entre os sujeitos que atuam dentro do hospital: a arte e palhaçaria nesse meio pode contribuir para ampliar a comunicação, a troca e a interação entre funções, equipes e pessoas. Essa interação e a qualidade dessas relações podem resultar em qualidade de vida para todos os atores nesse processo hospitalar;
    • A importância de se estabelecer uma conexão verdadeira com a pessoa com a qual estamos interagindo (paciente), por meio do olhar atento, amoroso, generoso e de uma escuta qualificada, que pode usar todas as informações que a pessoa der para usar como motivo de jogo, colocando-a numa posição de poder;
    • A capacidade de criarmos espaços lúdicos durante as interações dos palhaços e palhaças, para que crianças e adultos possam se expressar livremente, brincar, desenvolver sua criatividade, sua autonomia e assim ressignificar o processo de hospitalização;
    • A importância de se destinar atenção especial a todas as pessoas da equipe hospitalar. Atenção é tempo de qualidade nas interações, pensar ações específicas para cada setor e promover momentos de interação, aprendizado e estudo, contribuindo com o seu trabalho e com sua qualidade de vida;
    • Que por meio do jogo e da brincadeira com os palhaços e palhaças, os pacientes sentem-se mais seguros no ambiente do hospital, pode-se mediar a interação deles com esse local novo para muitos (especialmente quando estão chegando pela primeira vez no hospital), pode-se minimizar a ansiedade perante à espera de um exame, de uma visita médica e mesmo de um procedimento, diminui a saudade de casa e dos amigos, pois vê na interação com os palhaços e palhaças a possibilidade de alegria e de afeto. Além disso, coloca o paciente em posição ativa, quando escolhe a nossa presença, quando sugere um jogo, quando pede alguma música, quando provoca os palhaços a saírem de um “possível” roteiro;
    • A importância de se entender que cada pessoa tem seus processos pessoais e tem a plena capacidade de ressignificar sua vida;
    • Palhaços e palhaças que se apresentam como especialistas em medicina, permitem que as equipes possam brincar com a hierarquia existente dentro das instituições e no imaginário das pessoas, propondo espaços lúdicos para suavizar essas disparidades de relações e assumindo em suas figuras excêntricas, atrapalhadas, nonsenses e sérias, lembram a todos que nesse processo de cuidado com a saúde, todos somos seres humanos, com nossas falhas e habilidades;
    • A necessidade de se contribuir por meio de ações práticas e mesmo de uma atenção especial no corredor, com a valorização dos profissionais que atuam nos hospitais;
    • Que devemos construir relações saudáveis para além das paredes dos hospitais, sendo um grande desafio para a gestão de grupos, de equipes e das nossas próprias vidas;
   
Palhaços e palhaças tem uma visão diferenciada do mundo, isso é certo. 
O diferente pode ser mais fácil, mais simples, mais complexo, mais esquisito, mais absurdo, mais engraçado e talvez mais criativo. 
Palhaças e palhaços olham para um porta-soro, para uma bandeja, para uma cadeira de rodas, para um painel, para uma porta, para uma mesa, para um equipamento hospitalar com a habilidade única de ver além do objeto. Tal qual o olhar imaginativo de uma criança, palhaços conseguem subverter a lógica das coisas, e quando fazem isso, é como se permitissem a todos a “licença poética” de assim o fazerem. E isso pode ser libertador para quem está conseguindo ver só o soro, a agulha, o acesso, o sangue e a enfermidade. 
A liberdade da imaginação pode fazer com que as pessoas vejam além dos objetos, além das relações instituídas, além da doença, além do medo e da incerteza. E se palhaças e palhaços conseguirem provocar isso em alguém durante suas interações, que maravilha será. 
O estudo foi especialmente inspirador, seguimos, temos muito o que estudar, PENSAR, refletir e realizar. 




Série: Ateliê de Palhaçaria apresenta processo de formação de integrantes dos Doutores RiSonhos

Gabrielle Heinz, a Doutora Magnólia e Melaine Pilatto, Doutora Margareth, chegaram aos Doutores RiSonhos no começo deste ano, após passarem ...