segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Projeto De Flor Em Flor

O Projeto “De flor em flor” resulta de uma proposta lançada para seis artistas visuais da cidade de Chapecó, com a intenção de se fazer a releitura da flor criada por Miguel Vassali para integrar a logomarca do Grupo Doutores RiSonhos. Miguel criou a flor e a integrou a logo dos Doutores porque percebeu que eram recorrentes os registros dos palhaços com as pequenas flores de plástico, na ocasião de suas intervenções com os pacientes dos hospitais púbicos de Chapecó.
A FLOR tornou-se um elemento muito significativo na identidade visual do projeto, para o grupo e para os pacientes, pois estes últimos costumam colecionar flores de todos os tipos e cores, e as guardam com carinho e como uma lembrança boa dos momentos de alegria vividos juntos com os Doutores palhaços.
Por esse motivo, pensamos em convidar artistas visuais da cidade, para que com o seu olhar criativo sobre o nosso trabalho nos hospitais pudessem fazer a releitura da flor, cada um de acordo com a sua linguagem e de acordo com a técnica que utiliza em suas criações.
Assim, esses tantos olhares diferentes, poderão contribuir com outras iniciativas para manter as ações do grupo, além de passarem a fazer parte do projeto, agregando conhecimento, criatividade, sensibilidade, alegria e amor.

Esta foi a forma que encontramos para envolver mais pessoas no projeto e oportunizar o auxílio aos Doutores RiSonhos para que nunca parem de visitar seus pacientes.
Acompanhe nos próximos dias, quem são os artistas que integram esse projeto e as novidades que vem por aí! 

Os Doutores RiSonhos não páram!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Falta de recursos compromete trabalho de Doutores RiSonhos

(REPORTAGEM - Jornal Voz do Oeste - 15/08/2017) 
Projeto que leva alegria a pacientes dos hospitais conta com apoio da Lei Rouanet, mas precisa de adesão de empresas

“Agora não me faça pergunta séria”, brinca Michelle Silveira da Silva, após colocar o nariz vermelho e se converter na palhaça Barrica, personagem que integra o grupo de quatro palhaços dos Doutores RiSonhos, de Chapecó. Com a voz em uma sonoridade que flerta com a de uma criança, ela brincava com o Dr. Chicote (Vinicius Eduardo Bouckhardt) e demonstrava aos risos como é o trabalho que desempenha há cinco anos no Hospital Regional e da Criança do município.
Criado em 2012 e inspirado no projeto Doutores da Alegria, de São Paulo, os Doutores RiSonhos são um grupo de palhaços que fazem quatro visitas semanais nos hospitais Regional e da Criança a fim de animar e acolher os pacientes internos.
O programa conta com apoio da Lei Rounet, de incentivo à cultura, e é mantido por meio de recursos destinados por empresas. Devido ao caráter da Lei, as empresas de lucro real podem abater 4% do Imposto de Renda depositando-o na conta dos Doutores (aberta pelo Ministério da Cultura), que emite um “Recibo de Mecenato”. O recibo deve ser entregue pela empresa no momento que for quitar o Imposto de Renda.
Mas apesar do amparo da Lei não criar dolo à empresa, Michelle vê o trabalho do grupo comprometido pela falta de captação desses recursos.  “Em 2016 nós conseguimos realizar visitas o ano todo de forma remunerada. Fizemos todas as ações que pretendíamos, formação do grupo, oferecemos formação para a comunidade gratuitamente, palestras, montagem de espetáculo… Foram várias as ações quando captamos recursos. Agora em 2017 continuamos indo em hospitais, mas pretendemos ficar até metade do ano que vem.”
Segundo Michelle, o projeto atual disponibiliza o teto de R$ 298 mil para cumprir 10 meses de visitas semanais aos hospitais, bancar treinamento e remuneração dos palhaços, realizar oficinas e projetos gratuitos para à comunidade e outros gastos que envolvam as atividades do grupo.  Mas até o momento, Michelle disse que foram captados R$ 109 mil, o que não garante que o projeto caminhe “o quanto desejam”.


Caráter permanente  
Os valores, explica a atriz, são necessários para garantir essa permanência da atividade, pois diferente de um grupo que faz visitações esporádicas, os Doutores RiSonhos tem o comprometimento de realizar quatro visitas por semana, o que os coloca em contato direto com os pacientes.
Esse caráter permanente do projeto faz com que Michelle carregue lembranças de internos que viu deixar o leito e de internos que não estavam mais na segunda visita devido à morte.
Apesar de trabalharem sorrindo, sentimentos, diz, vêm à tona e reforçam a sensibilidade e importância do projeto dentro do quadro clínico do paciente. “Algumas pessoas estão sozinhas e quando entramos no quarto para brincar, cantar, eles ficam super felizes. Eles abençoam muito. Pedem para voltar, falam que é bonito. E mesmo quando a pessoa está bem adoentada, bem fragilizada, você chega e em um ato de generosidade a pessoa esquece da dor e vem brincar. Médicos já nos disseram que esse impacto é muito grande, pois as pessoas ficam mais felizes, o que contribui na recuperação delas”, destaca Michelle.
As visitas só acontecem com autorização do paciente e mesmo quando encontram pessoas inconscientes, com autorização do acompanhante, o grupo realiza o mesmo trabalho. “Embora ela não esteja consciente, talvez em algum nível esteja, e não é por isso que deixaremos de tratar com humanidade e respeito”, reforça Michelle, que quando está fantasiada de Barrica nos hospitais se assemelha muito mais a uma super-heroína do que a uma palhaça.
http://vozdooeste.com.br/2017/08/15/falta-de-recursos-compromete-trabalho-de-doutores-risonhos/ 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Palhaços nos hospitais - o estranhamento encantador


Toda vez que eu acompanho uma visita de palhaços nos hospitais,volto pra casa cheia de alegria, de encanto e com a certeza de que esse trabalho é algo tão sério, quanto transformador! 
Já acostumada a estar atuando como Dra. Barrica, nas visitas de acompanhamento e orientação, fico a paisana, bem discreta e disfarçada, para que não atrapalhe o trabalho dos meus colegas. Mas as vezes sou reconhecida! 
Bem quieta do meu canto com a máquina nas mãos eu observo cada ação dos palhaços e cada reação que meus olhos conseguem alcançar. 
Uma música, uma coreografia, uma piada bem preparada, uma palavra dita ao improviso, uma delicadeza ou uma bobagem tem o poder mágico de transformar uma sala de espera silenciosa e fria, em uma sala de festa, de showns, de histórias reveladas, de brincadeiras descabidas, de procuras sem fim! 
E aos poucos vejo rostos cisudos se rendendo a brincadeira, e os risos começam a tomar conta da sala, as palavras doces começam a ser sussurradas para os palhaços, os celulares aparecem para fotografar e filmar na tentativa de levar uma lembrança desse momento tão improvável. 



"A gente espera tanta coisa quando se dirige ao hospital: espera, ansiedade, diagnósticos, esperanças, desesperanças, dor, remédio, médico, exames e a gente também espera a cura da nossa enfermidade! Mas o que a gente nunca espera é ser surpreendido por uma dupla de palhaços, muito bobos e desconjuntados, que tentam com seus recursos atrair a nossa atenção e geralmente a ganham. E depois de ganha a atenção, eles fazem gato e sapato do nosso riso, da nossa alegria. E nessa sapateada a dor vai se espantando e quase some do mapa. E aquela espera que antes era só espera, com esperança e incertezas, vira uma festa!"



Cada visita é um universo diferente e rico de possibilidades de jogo e de transformação, nos pacientes, nos colegas da saúde e em nós mesmos.

Por esse motivo, os Doutores RiSonhos tem muita seriedade, compromisso e ética na realização do seu trabalho. Porque sempre e a cada dia, pretendemos dar o nosso melhor, para despertar o melhor dentro das pessoas. 

Palhaços observados:
Dr. Chicote, Dr. Cambito, Dr. Mogno e Dra. Kirina

Observados por Michelle Silveira 






Fotos de Michelle Silveira 

Palhaços em construção

Oficinas de formação dos Doutores RiSonhos fomentam a prática da palhaçaria em Chapecó Desde 2016, os Doutores RiSonhos realizam ofici...