segunda-feira, 1 de junho de 2020

“Estudar é preciso”

Por Michelle Silveira


   Na tarde da sexta-feira, dia 22 de maio, tivemos o nosso primeiro encontro de estudos durante a pandemia. Foi um momento muito necessário e produtivo. Como tivemos que suspender as nossas atividades lá na metade de março, quando estávamos apresentando as novas palhaças aos hospitais, nem tínhamos tido tempo para esse estudo mais aprofundado.
  Estudamos sobre humanização na saúde, com foco na pediatria e nos cuidados com os idosos, focos do nosso trabalho nos hospitais. Além dos textos, assistimos vídeos relacionados ao assunto e pudemos fazer muitas ligações entre o trabalho que fazemos e os princípios da humanização hospitalar.
Destacamos:
    • Que palhaços e palhaças inseridos no contexto do hospital podem contribuir nas relações entre os sujeitos que atuam dentro do hospital: a arte e palhaçaria nesse meio pode contribuir para ampliar a comunicação, a troca e a interação entre funções, equipes e pessoas. Essa interação e a qualidade dessas relações podem resultar em qualidade de vida para todos os atores nesse processo hospitalar;
    • A importância de se estabelecer uma conexão verdadeira com a pessoa com a qual estamos interagindo (paciente), por meio do olhar atento, amoroso, generoso e de uma escuta qualificada, que pode usar todas as informações que a pessoa der para usar como motivo de jogo, colocando-a numa posição de poder;
    • A capacidade de criarmos espaços lúdicos durante as interações dos palhaços e palhaças, para que crianças e adultos possam se expressar livremente, brincar, desenvolver sua criatividade, sua autonomia e assim ressignificar o processo de hospitalização;
    • A importância de se destinar atenção especial a todas as pessoas da equipe hospitalar. Atenção é tempo de qualidade nas interações, pensar ações específicas para cada setor e promover momentos de interação, aprendizado e estudo, contribuindo com o seu trabalho e com sua qualidade de vida;
    • Que por meio do jogo e da brincadeira com os palhaços e palhaças, os pacientes sentem-se mais seguros no ambiente do hospital, pode-se mediar a interação deles com esse local novo para muitos (especialmente quando estão chegando pela primeira vez no hospital), pode-se minimizar a ansiedade perante à espera de um exame, de uma visita médica e mesmo de um procedimento, diminui a saudade de casa e dos amigos, pois vê na interação com os palhaços e palhaças a possibilidade de alegria e de afeto. Além disso, coloca o paciente em posição ativa, quando escolhe a nossa presença, quando sugere um jogo, quando pede alguma música, quando provoca os palhaços a saírem de um “possível” roteiro;
    • A importância de se entender que cada pessoa tem seus processos pessoais e tem a plena capacidade de ressignificar sua vida;
    • Palhaços e palhaças que se apresentam como especialistas em medicina, permitem que as equipes possam brincar com a hierarquia existente dentro das instituições e no imaginário das pessoas, propondo espaços lúdicos para suavizar essas disparidades de relações e assumindo em suas figuras excêntricas, atrapalhadas, nonsenses e sérias, lembram a todos que nesse processo de cuidado com a saúde, todos somos seres humanos, com nossas falhas e habilidades;
    • A necessidade de se contribuir por meio de ações práticas e mesmo de uma atenção especial no corredor, com a valorização dos profissionais que atuam nos hospitais;
    • Que devemos construir relações saudáveis para além das paredes dos hospitais, sendo um grande desafio para a gestão de grupos, de equipes e das nossas próprias vidas;
   
Palhaços e palhaças tem uma visão diferenciada do mundo, isso é certo. 
O diferente pode ser mais fácil, mais simples, mais complexo, mais esquisito, mais absurdo, mais engraçado e talvez mais criativo. 
Palhaças e palhaços olham para um porta-soro, para uma bandeja, para uma cadeira de rodas, para um painel, para uma porta, para uma mesa, para um equipamento hospitalar com a habilidade única de ver além do objeto. Tal qual o olhar imaginativo de uma criança, palhaços conseguem subverter a lógica das coisas, e quando fazem isso, é como se permitissem a todos a “licença poética” de assim o fazerem. E isso pode ser libertador para quem está conseguindo ver só o soro, a agulha, o acesso, o sangue e a enfermidade. 
A liberdade da imaginação pode fazer com que as pessoas vejam além dos objetos, além das relações instituídas, além da doença, além do medo e da incerteza. E se palhaças e palhaços conseguirem provocar isso em alguém durante suas interações, que maravilha será. 
O estudo foi especialmente inspirador, seguimos, temos muito o que estudar, PENSAR, refletir e realizar. 




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